✝A FOTO NO CEMITÉRIO✝✍

Em São Manuel, uma cidade do interior de São Paulo, vivia uma jovem chamada Ana Clara. Ela morava em uma pequena casa junto com seus pais e suas duas irmãs. A vida era simples, porém nunca lhes faltava nada. Seu pai trabalhava incansavelmente na usina de cana de açúcar, e sua mãe como doméstica, para que suas filhas pudessem ter um futuro promissor. Certo dia, Ana Clara estava indo para o colégio como sempre fazia, estudava na parte da manhã e suas irmãs no período da tarde. No caminho, passava em frente ao único cemitério da cidade.

Neste dia os portões estavam abertos. Ana Clara estranhou, teria alguém falecido? Movida por sua curiosidade de cidade pequena, entrou no cemitério e caminhou por entre os túmulos, olhando atentamente. Não parecia ter havido enterro naquela manhã. Quando estava saindo, jialgo lhe chamou a atenção: a foto de um jovem rapaz, em uma lápide qualquer. Ana clara ficou ainda mais curiosa, quem seria aquele rapaz e o que teria acontecido para uma morte prematura? Ficou por um tempo observando aquela foto… Quando se deu conta já estava atrasada, saiu correndo para chegar antes do portão da escola fechar.

Durante a aula não conseguia pensar em outra coisa a não ser naquele rosto, e ficou aliviada quando o sino tocou, poderia finalmente ir pra casa. No caminho de volta, passou novamente pelo cemitério, e sentiu uma imensa vontade de entrar e ver mais uma vez aquela fotografia. Caminhou lentamente até o túmulo e desta vez, quando olhou, percebeu que a foto estava solta. Ana Clara puxou, saindo facilmente. Provavelmente não teria ninguém para reclamar a foto. Colocou-a em seu bolso e foi para casa. Deitada em sua cama, ficou admirando aquele rosto. No verso tinha algo escrito porém muito borrado, e por mais que tentasse ler não conseguia entender.

Os dias se passaram, Ana Clara estava cada dia mais obcecada por aquela foto. Certa manhã saiu de casa como sempre fazia e quando passou em frente ao cemitério, viu um jovem rapaz sentado em um dos bancos, do lado da entrada. Ele olhou para ela e sorriu, Ana Clara ficou desconcertada. Quem seria? Alguém novo na cidade, talvez. Ela se aproximou e se apresentou, perguntando se estava tudo bem, ele olhou para ela e sorriu, dizendo: Estou bem, obrigado! Ela sorriu, estava impressionada, ele era muito parecido com o rapaz da foto. Seria um sinal de que finalmente havia encontrado o amor de sua vida? Ela se despediu e seguiu seu caminho para a escola. Na manhã seguinte novamente ele estava lá, no mesmo banco, e dia após dia, quando ela passava ele acenava. Isso a deixava muito excitada e curiosa, foi quando decidiu parar novamente, estava disposta a descobrir o nome dele. Neste dia conversaram por horas e ela descobriu que seu nome era Ricardo, e nem se deu conta de ter perdido a aula.

E assim por um mês, todos os dias saia de casa para se encontrar com aquele jovem misterioso, estava completamente apaixonada e disposta a ir embora com seu amado. Ana estava preocupada de seu pai não aprovar o relacionamento e insistia para partir o quanto antes. Ricardo sempre dizia: Não se preocupe, falta pouco minha querida, logo ficaremos juntos. A direção da escola, preocupada, entrou em contato com os pais de Ana, perguntando da jovem. Sumira da escola. Eles estranharam, Ana Clara sempre fora muito responsável. Naquela tarde, quando ela chegou da rua, perguntaram onde ela estava, esperando uma explicação, estavam muito preocupados. Disse que estava apaixonada e que logo iria embora com Ricardo. Saiu correndo para o quarto e deitou na cama. Tirou a foto que estava embaixo do travesseiro e dessa vez pode ler a escrita no verso, que dizia: Ana Clara, mate seus pais. Assustada, deixou a foto cair, e imediatamente seu pai entrou no quarto, dizendo que ela estava de castigo e ficaria trancada até descobrir quem era esse rapaz. Eles estavam preocupados que ela estivesse sendo enganada por algum aproveitador. Ana Clara gritava e implorava, dizendo estar apaixonada por Ricardo e que ele a amava e ficariam juntos para sempre. Em total desespero, ela estava fraca e muito debilitada, estava disposta a morrer. Durante uma semana seu pai foi até o cemitério, no local indicado por ela, e para surpresa deles, não tinha ninguém esperando por Ana Clara. Ele voltava para casa todos os dias e dizia a filha que não tinha ninguém lá.

E uma noite, aproveitando o descuido de sua mãe, Ana pegou uma faca e matou seus pais, fugindo sem olhar para trás. Quando chegou ao cemitério, Ricardo estava lá, sentado como sempre esteve, e sorriu para ela, dizendo: Agora estamos prontos para ir embora minha querida. Ana Clara chorava, suas mãos e roupas ainda estavam cobertas de sangue. Ricardo veio em sua direção sorrindo e a abraçou, estava tão exausta que desmaiou antes que pudesse dizer qualquer coisa.

Quando abriu seus olhos, tudo estava escuro, não conseguia respirar. Entrou em desespero, se debatia, não conseguia se movimentar, estava presa numa caixa. Unhava a madeira tentando se libertar e gritava, mas ninguém podia escutar sua voz abafada. Gritou até perder a voz. Aos poucos, o ar foi acabando, e seu corpo mergulhou em espasmos mortais.

Ana Clara foi considerada culpada por duplo homicídio, e nunca foi encontrada. Alguns anos depois, uma de suas irmãs, visitando o túmulo de seus pais, decidiu caminhar no cemitério, olhando outros túmulos. Foi quando paralisou-se diante de uma foto, numa lápide qualquer. Era sua irmã, Ana Clara.

Finalmente ela estava ao lado de seu grande amor.

#autoral– Fabiana Santca.

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